Na capital do Tocantins, busca-se uma transformação urbana que já está ganhando força, impulsionada pela voz ativa de seus cidadãos, os Planos de Bairro. Longe das tradicionais formas de planejamento, institucional e centralizado, a comunidade palmense está sendo qualificada para tomar as rédeas do futuro de seus bairros através da implementação de Planos de Bairro, uma inovadora ferramenta de planejamento territorial.
Neste recente encontro virtual da Rede Planos de Bairros, ocorrido em 12 de março passado, (assistam o vídeo completo do evento – 30 minutos), ficou demonstrado o dinamismo e o potencial dessa abordagem, tendo como epicentro a experiência de Palmas com a Agenda Popular pelo Direito à Cidade.
A reunião, sob a mediação de João Bazzoli, professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), teve a finalidade de mostrar a dinâmica da construção da Agenda Popular. A Karine Corrêa, arquiteta urbanista, foi a primeira a se apresentar, seguida pelos demais participantes, Giovanna Ferreira, acadêmica do Direito, Renato Rodrigues, acadêmico da arquitetura e urbanismo e Taynnara Oliveira, arquiteta urbanista. Todos vinculados a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e integrantes do BrCidades núcleo Tocantins.
Ficou claro na apresentação, desde o princípio, que a centralidade da participação popular e a articulação em rede se mostraram pilares desta iniciativa. A rede Planos de Bairros, com raízes fincadas no 1 Simpósio Nacional de Planos de Bairros, em 2024, ocorrido na FAU-Mackenzie, emerge como um arranjo multidisciplinar e interinstitucional, unindo esforços para disseminar e fortalecer a elaboração de Planos de bairro.
Neste encontro Karine e o grupo que apresentou, mergulharam no contexto específico da capital tocantinense e descreveram Palmas, uma cidade planejada com mais de 300 mil habitantes, que ironicamente enfrenta desafios semelhantes aos de cidades mais populosas e antigas devido a falhas na implementação do planejamento original.
Em resposta a essa lacuna, nasceu em abril de 2024 a Agenda Popular pelo Direito à Cidade, adotando a metodologia dos Planos de bairro como um caminho para tentar reverter essa lógica.
O desenvolvimento metodológico por trás dessa articulação comunitária, merece destaque, por ter priorizado a mobilização da população e o empoderamento dos indivíduos, visando transformá-los em agentes ativos na construção dos Planos de bairro e na transformação da cidade.
A força da participação local como solução efetiva para as questões urbanas foi enfaticamente defendida e os resultados práticos das oficinas participativas, conduzidas pela equipe, possibilitou de maneira concreta pensar no desenvolvimento efetivo de um piloto de Plano de Bairro, já ajustado para acontecer no Jardim Aureny IV.
Em suma, a experiência de Palmas, impulsionada pela Agenda Popular pelo Direito à Cidade e pela metodologia dos Planos de bairro, representa um farol de esperança para a construção de cidades mais democráticas e alinhadas com as reais necessidades de seus habitantes. A articulação da Rede Planos de Bairros, ao conectar diferentes iniciativas e promover a troca de conhecimento, potencializa o alcance e o impacto dessa abordagem inovadora.
Portanto, o futuro urbano, ao que tudo indica, passa cada vez mais pela escuta ativa e pelo protagonismo das comunidades locais. A jornada em Palmas, com seus desafios e conquistas, oferece lições valiosas para outras cidades que almejam um planejamento urbano mais participativo e, consequentemente, mais justo e eficiente.
Assista o evento na integra - clicar abaixo