A comunidade do Jardim Aureny IV tem um encontro marcado para a entrega oficial do seu Plano de Bairro, um instrumento técnico e essencial, que promete ser um vetor de transformação do território. A reunião de entrega acontecerá no próximo dia 22 de novembro, sábado, às 17 horas, na sede da associação, e representa o ápice de meses de trabalho intenso e colaborativo entre a equipe técnica composta por alunos do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e do Curso de Direito da Universidade Federal do Tocantins (coordenada pelo Prof. Dr. João Aparecido Bazzoli) e os moradores do Bairro. Considerando, também, os PARCEIROS deste projeto piloto, que tiveram um papel fundamental elevando o nível de qualidade deste trabalho.
O Plano de Bairro que será entregue aos moradores é caracterizado por ser uma proposta de planejamento urbano local com abordagem profundamente participativa e multidimensional, levando em consideração as necessidades daqueles que vivem no local. Seu objetivo fundamental é dar voz à comunidade, transformando suas demandas em um documento robusto, diferentemente de uma legislação feita "de cima para baixo".
O Diálogo entre o Saber Técnico e o Cotidiano
A construção do Plano foi sedimentada em duas frentes: as Reuniões Técnicas e Estratégicas e as Reuniões Comunitárias.
Reuniões Técnicas e Estratégicas: Entendendo o Bairro
As reuniões técnicas e estratégicas focaram em entender o bairro e evidenciaram a importância da escuta ativa da comunidade. O processo, que incluiu visitas técnicas e estratégicas, revisão bibliográfica e encontros com pesquisadores e entidades como a Secretaria de Planejamento Urbano de Palmas, o IBGE e o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, constatou a invisibilidade, o abandono e a carência de infraestrutura e serviços públicos municipais no Jardim Aureny IV.
O significado destes encontros residiu em referendar a população como "protagonista do processo". O objetivo da equipe técnica foi o de instrumentalizar os moradores (por meio da alfabetização urbanística) a compreender o planejamento e as legislações urbanos com a finalidade de transformar suas "vontades" num material "substancial" (num plano) para cobranças junto aos gestores municipais.
Reuniões Comunitárias: A Cidade Vivida
As reuniões comunitárias focaram na realidade local, no cotidiano e na cidade vivida. A premissa norteadora foi garantir aos moradores o acesso ao exercício ao Direito à Cidade, buscando um ambiente urbano mais justo e acolhedor.
As reuniões iniciaram em 26 de abril (vídeo), e a primeira priorizou a escuta ativa e a valorização da história do bairro. Através do "Mapeamento Afetivo", os participantes resgataram a identidade do Aureny IV, marcando pontos de memórias felizes, indignação e insegurança, que se transformaram em demandas para o estabelecimento de ações mitigadoras.
Na segunda reunião ocorrida em 10 de maio (vídeo), foi estabelecida uma interface crítica entre Saúde Coletiva e Planejamento Urbano. Ficou claro que a saúde pública no local está severamente prejudicada, e as demandas identificadas transcendem o âmbito clínico, conectando-se diretamente ao urbanismo (como a falta de infraestrutura impactando a saúde mental e a qualidade de vida).
O Legado Documentado: As Produções do Plano
Para além do documento central, a construção coletiva gerou uma série de produções que documentam e publicizam a realidade do Jardim Aureny IV. Estes materiais incluem:
- Documentário sobre a Construção do Plano de Bairro
- Artigo - A escala do encontro: o bairro como práxis urbana
- Ensaio Fotográfico sobre o bairro
- Apresentações em eventos de relevância, como o Circuito Urbano 2025 da ONU-HABITAT Brasil
- Integração do Projeto ao Mapa de Iniciativas Urbanas e uma Plataforma de Participação Digital
Participe da entrega!
A entrega do Plano de Bairro não é a finalização do projeto, ao contrário, é o início da incidência política necessária para que as prioridades definidas pelos moradores se tornem realidade.
Compareça no dia 22 de novembro, sábado, às 17 horas, na sede da associação, e garanta que o Plano de Bairro se torne, efetivamente, o caminho para o pleno Exercício Cidadão ao Direito à Cidade.
O Plano de Bairro, ao alinhar as ações mitigadoras ao orçamento municipal, tornou-se um instrumento de intervenção efetiva, garantindo que as propostas não se restrinjam a uma "mera carta de intenções", funcionando como uma chave mestra que destrava o diálogo entre a comunidade e a gestão pública para a transformação do território.




